Grafeno alça voo para futuras missões espaciais

O Centro Avançado de Materiais Bidimensionais (CAD2DM) da Universidade Nacional de Singapura (NUS) reuniu-se à empresa aeroespacial Boreal Space, dos EUA para lançar uma carga de grafeno à estratosfera, junto a um satélite.

Grafeno

Foto: Boreal Space

Os usos essenciais do material já foram comprovados nas últimas décadas, e seu uso para fora de nosso planeta era apenas uma questão de tempo – e testes. Após muito se especular sobre o potencial do grafeno em missões espaciais, dada sua flexibilidade e força, a iniciativa é a primeira a efetivamente colocar os testes em prática.

Segundo o professor Antonio Castro Neto, líder o projeto, “mover veículos espaciais por distâncias, acelerações e velocidades gigantescas no espaço só é possível com equipamentos de pouca massa. O grafeno é o material ideal, pois é um dos mais leves e resistentes materiais funcionais que possuímos. Além disso, sua alta performance eletrônica faz do grafeno o candidato perfeito para lidar com a falta de oxigênio e as baixas temperaturas no espaço”.

Teste levou o material à estratosfera

Para os testes serem feitos, a equipe revestiu uma amostra com uma camada fina de grafeno, anexando-a ao satélite Wayfinder, da Boreal Space, lançado em 30 de junho de 2018. Após fazer parte de todo o processo de lançamento, passando por aceleração rápida, vibrações intensas, choques acústicos e gigantescas variações de pressão e temperatura, a amostra voltou à atmosfera terrestre em um voo de pouco mais de um minuto, com o uso de um paraquedas e um localizador.

Amostras de grafeno estão sendo analisadas após retorno à Terra

Agora, a equipe está realizando os testes necessários para entender se a estabilidade e as propriedades estruturais do material foram afetadas durante o processo de lançamento e aterrissagem. Técnicas de espectroscopia buscam identificar a existência de quaisquer defeitos nas amostras enviadas.

Segundo o líder do projeto, se for observado que o grafeno foi capaz de manter suas características, isso abrirá espaço para uma série de novos usos, permitindo que o material seja incorporado em tecnologias utilizadas em missões espaciais. Ainda não há uma data precisa de expectativa para a divulgação dos resultados.

Fonte: The Engineer

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